FECOMERCIO: Economistas melhoram perspectivas em relação ao emprego e câmbio.
Publicado em: 03/03/2010

Dos nove itens analisados pelo Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia (ISE), apurado pela Fecomercio, seis estão no patamar otimista

 

São Paulo, 02 de março de 2010 – O Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia (ISE), calculado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) em parceria com a Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), apontou alta em fevereiro de 3,7% em relação a janeiro, saindo dos 104,8 pontos para 108,7 pontos. Em comparação ao mesmo período do ano passado, quando a economia ainda atravessava a crise, a oscilação é de 44,7%. O ISE varia de 0 (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Acima de 100 pontos o indicador é considerado otimista.

Fonte: FECOMERCIO/OEB

 

A alta deste mês foi influenciada principalmente pela visão que os economistas têm da situação futura, que se elevou 6,7%, atingindo 118,1 pontos, enquanto a avaliação da conjuntura atual permaneceu praticamente estável, com 99,3 pontos (+0,4%). Dos nove itens analisados para a medição do indicador, seis estão no patamar otimista, sendo que dois deles contribuíram para a expectativa otimista dos economistas quanto ao futuro: Taxa de Câmbio e Nível de Emprego.

O item Taxa de Câmbio (107,8 pontos, alta de 47%), que influenciou negativamente o ISE em janeiro, foi o principal impulsionador do índice em fevereiro. Na análise futura dos economistas, este item subiu para 123,7 pontos, enquanto que, no momento atual, ainda permanece abaixo dos 100 pontos (91,8 pontos), demonstrando pessimismo. “Apesar da melhora marginal do câmbio em fevereiro na comparação com janeiro, a análise dos economistas é de que a cotação ainda está inadequada, mas deverá se ajustar no prazo de um ano”, explica Guilherme Dietze, economista da Fecomercio.

O Nível de Emprego (149,9 pontos, aumento de 10,9%) também foi outro destaque positivo do ISE em fevereiro. A percepção dos economistas é de que há uma melhora no emprego tanto na situação atual (140,7) quanto para daqui a um ano (159,2). Divulgações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) mostram que a taxa de desocupação está em níveis historicamente baixos. Por outro lado, o item Salários Reais, relacionado ao nível de emprego, obteve uma leve queda de 2,5% (119,4 pontos). “Essa redução pode ser encarada pelo receio dos economistas em relação à inflação mais acelerada neste início de ano, o que pode impactar o poder de compra das famílias”, avalia Dietze.

Fonte: FECOMERCIO/OEB

 

Apesar da queda de 11,2%, o item Cenário Internacional (140,6) ainda permanece na escala de otimismo. Essa redução do índice, segundo o economista, pode ser consequência do cenário negativo de algumas economias da Europa, com destaque para Grécia, Espanha e Portugal, que enfrentam problemas na gestão pública com déficits e endividamento de governo.

Os demais itens tiveram participações mais tímidas no ISE de fevereiro, mas de qualquer forma permaneceram no patamar acima dos 100 pontos: Oferta de Crédito ao Consumidor (131,5 pontos, 3,1%), e Nível de Atividade Interna – PIB (174,2 pontos, 0,7%). Este último, apesar de ficar praticamente estável, se encontra no patamar mais elevado dos itens pesquisados.

Pelo lado pessimista do ISE continuam os mesmos itens que vêm influenciando negativamente o índice geral nos últimos meses: Taxa de Juro (68,7 pontos, 1,1%); Taxa de Inflação (60,7 pontos, -12,1%) e Gastos Públicos (25,5 pontos, 53,3%). Dentre estes, o único que teve queda em fevereiro foi a Taxa de Inflação. Tanto na atual conjuntura (52,pontos) quanto para daqui a um ano (69,4), os economistas esperam aumento da inflação. “Dados recentes mostram que existe maior pressão sobre os preços, como por exemplo, o IPCA-15 de fevereiro que teve incremento de 0,94% contra os 0,52% em janeiro”, projeta Dietze.

Nota Metodológica

O Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia - ISE é computado pela Fecomercio, em parceria com a Ordem dos Economistas do Brasil - OEB - desde junho de 2008. A pesquisa detecta as perspectivas dos economistas em relação às tendências da economia nacional e mundial. Sua composição, além do índice geral, apresenta-se em: percepção presente e expectativas futuras. O ISE varia de 0 (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Envolve pesquisa mensal com mais de 100 economistas renomados de todo País, por meio de metodologia similar àquela utilizada para a apuração do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fecomercio.

Sobre a Fecomercio

A Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) é a principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e serviços. Representa empresas e congrega 153 sindicatos patronais, que abrangem mais de 600 mil companhias que respondem por 11% do PIB paulista – cerca de 4% do PIB brasileiro – gerando em torno de cinco milhões de empregos.

Sobre a OEB

A Ordem dos Economistas do Brasil - OEB, entidade civil cultural e de utilidade pública, criada em 1935, é a mais antiga representação dos economistas brasileiros. Voltada ao aprimoramento, atualização e prestígio da categoria profissional, promove cursos, palestras, workshops, sendo credenciada pelo Ministério da Educação para ministrar cursos de MBA lato sensu. Contribui com as faculdades de economia na adequação de estruturas curriculares às necessidades regionais e coopera com as organizações privadas e governamentais em assuntos correlatos ao campo das ciências econômicas.




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